segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Carnaúba no Ceará! Carandá em Cuiabá!

Carnaúba no Ceará! Carandá em Cuiabá!


      Palmeiras das cantorias aladas. Palmeiras das veredas alagadas. Palmeiras das vazantes emendadas. Palmeiras das copas elevadas. Palmeiras das folhas e dos frutos pendentes. Palmeiras das seivas em ceras resistentes. Palmeiras de uso medicinal. Palmeiras de utilidade artesanal. Palmeiras do Brasil continental. Palmeiras da harmonia ambiental. Palmeiras do Pantanal. Palmeiras símbolo por Decreto Lei estadual, e, quiçá municipal.
      Através do Decreto Lei Estadual N° 27.413 de 30 de março de 2004, o então governador Lúcio Alcântara, instituiu a carnaúba como árvore símbolo do Ceará. A decisão foi tomada considerando a importância de promover a conservação da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável e do reconhecimento do valor histórico, cultural e paisagístico da árvore. Além disso, em seu Art.2º, o dispositivo legal condiciona o corte da carnaúba à autorização dos órgãos e entidades estaduais competentes.
      Livres para proposituras legais. Unidos por belezas naturais. Comprometidos com leis municipais. Reconhecidos por atividades institucionais. Interligados com aspectos culturais. Responsáveis por conhecimentos compartilhados. Símbolos germinados pela cidadania. Símbolos descritos além da poesia. Símbolos da vida em garantia. Símbolos assegurados pela democracia. Símbolos incluídos na ordem do dia. Símbolos despercebidos em Praças erguidas no tempo da monarquia.
      Se, no estado do Ceará, a carnaúba é um símbolo oficial, qual será o símbolo paisagístico de Cuiabá, do estado de Mato Grosso, nossa capital? Não sabemos? Não temos? Assim sendo, fica a nossa sugestão: Carandá, palmeira das águas de uma visitação cantada em prosa e verso por Silva Freire, poeta imortal. Carandá, palmeira das aves em nidificação anual. Carandá, palmeira do Palácio Paschoal Moreira Cabral. Carandá, palmeira da Cidade Verde, outrora cidade da palmeira imperial. Carandá, palmeira símbolo da Vila elevada à categoria de capital. Carandá, palmeira símbolo da cidade em crescimento mais do que vertical. Carandá, palmeira símbolo da cidade sede da Copa Mundial. Quem somará conosco? Com a palavra a leitora e o leitor semanal. Ouça-nos Câmara Municipal!
Airton Reis, professor, poeta e embaixador da paz em Mato Grosso. airtonreis.poeta@gmail.com


Acomodações...

Acomodações...


      Entra e sai. Troca e remaneja. Agricultura peleja. Trabalho troveja. Assuntos Estratégicos em hora atrasada mais do que reconhecida. Aviação Civil atrelada além de uma pista prometida. Meta esquecida. Aceleração desarticulada. Rota desviada. Urgência prorrogada. Alvorada ou carteada? Infortúnio ou liberdade de imprensa nem sempre observada?
      Colheita de quem plantou. Salário de quem foi contratado. Fronteira de um mesmo Ocidente ignorado. Fome além de uma barriga descamisada. Bolsa além de uma família de uma mesma pátria mais do que decana em caridade institucional. Escala de quem decolou depois de um mesmo vendaval.
      Esquadra de quem chegou de pára-quedas aquém do Planalto Central. Milhas e muitas léguas de um mesmo sertão. Réguas e algumas polegadas quiçá transformadas em toneladas de uma mesma safra garantida além da exportação. Estradas de um mesmo caminhão. Trafegabilidade ou colisão?
       Mato Grosso mais uma vez na beira da governabilidade federal. Mato Grosso mais uma vez na eira da esteira trançada pela mesma palha em nada artesanal. Mato Grosso cartão postal da natureza em ambiente natural. Mato Grosso no casulo de uma borboleta azulada.
      Mato Grosso na teia de uma aranha mais do que armada. Mato Grosso nos meandros de uma bacia prateada chamada Pantanal. Mato Grosso nas clareiras mais do que tombadas da Floresta Tropical. Mato Grosso nas corredeiras da mesma cachoeira do Cerrado em depressão fluvial.
       Incomodados se mudando. Acomodados se infiltrando. Abandonados reticentes. Desamparados reincidentes. Governados e governantes. Comandados e comandantes. Delegados e meliantes. Assassinos e assaltantes. Viciados e traficantes. Adolescentes e estudantes. Andarilhos e mendicantes. Universitários e conflitos alarmantes. Legisladores e Casas do Povo sem representantes.
      Brasil além de uma Brasília arquitetada pela modernidade. Brasil além de uma Carta Magna observada pela metade da metade. Brasil além de uma desigualdade mais do que social. Brasil além de uma maioridade mais do que penal. Brasil além de um infante mais do que armado. Brasil além de uma infantaria num morro pacificado. Brasil mais do que funcionalmente alfabetizado. Brasil além de um poço de petróleo escavado.
      Acomodados em mais de um gabinete refrigerado. Voz que ecoa além de uma faixa no mesmo peito cruzado: Cala-te ou serás afastado! Acomoda-te ou serás exonerado! Corrija-te ou serás investigado! Continuamos no próximo incomodo mais do que cidadão, e, por hora finalizamos com um antigo refrão: “Menos circo, mais pão!”.

Airton Reis é poeta em Cuiabá-MT. airtonreis.poeta@gmail.com

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Brasil brasileiro

Brasil brasileiro
      Além das Minas Gerais nas páginas de uma mesma história. Além dos inconfidentes cultuados em memória. Além da glória passageira de uma monarquia imperial. Além da ilusória nobreza colonial. Depois dos gritos pelas independências continuadas em disputas territoriais. Depois dos golpes republicanos dos marechais. Durante os regimes dos generais. Durante as ditaduras camufladas em anais. Durante os diversos mandatos políticos advindos de pleitos eleitorais.
        Neste exato momento de condolências à cidadania fluminense abatida por mais de um tiro certeiro. Neste retrato margeado pela fatalidade além da explosão de um bueiro. Neste corpo infante alvejado num beco da periferia. Neste verso sem qualquer poesia. Neste atestado de óbito em lauda pericial equivocada e tardia. Neste exame de DNA mais que social. Neste artigo assinado em opinião publicada em jornal. Neste e naquele capítulo constitucional não observado em essência legal. Neste e naquele boletim de ocorrência policial.
        Nesse país chamado Brasil antes mesmo de ser República Federativa. Nesse pavilhão edificado pelo patriotismo e pela nacionalidade. Nesse parágrafo ampliado pela liberdade de imprensa e de expressão. Nesse mastro onde tremula a mesma bandeira de uma Nação. Nesse sertão com mais de uma fronteira internacional desguarnecida em sentinela. Nesse e naquele aglomerado habitacional denominado favela.
        Nesse e naquele estomago sem o pão de cada dia. Nesse e naquele pulmão a fumaça da lata que vicia. Nesse e naquele pelotão a infância alistada pela criminalidade cada vez mais fatal. Nesse e naquele morro sem posto de saúde e sem educação em tempo integral. Nesse e naquele Estatuto sem qualquer orçamento anual garantido pela mesma Constituição Federal. Nesse e naquele juizado especial da infância e da adolescência. Nesse e naquele presídio superlotado. Nesse e naquele auxílio família desviado.
        Mais de um corpo sepultado como indigente. Mais de um morto pela fúria inclemente. Mais de uma guerra urbana nas jurisdições reféns da barbárie humana. Mais de uma missa de sétimo dia nem sempre celebrada. Mais de uma alma brasileira penada e apenada. Realidade além de um roteiro da sétima arte premiado em festival. Impunidade desfigurada em imunidade penal.
       Grão de milho de pipoca estourado na panela de pressão. Balão, quentão e quadrilhas. Camarão, salmão, caviar e ervilhas. Matilhas. Lobo guará, carniça, carcará. Formigas e vermes. Tamanduá mirim com a língua ocupada. Tamanduá bandeira atropelado na rodovia pavimentada. Nem vela, nem fita amarela. Apenas mais uma cadeia em nada alimentar. A igualdade foi considerada ré primaria. A liberdade faleceu na mesma cela solitária. Enquanto isso, a fraternidade renasceu em alvorada solidária. Fim.
Airton Reis, professor, poeta e embaixador da paz em Mato Grosso. airtonreis.poeta@gmail.com


     

Barão de Melgaço: Patriota valoroso!

Barão de Melgaço: Patriota valoroso!



     Casa Barão de Melgaço: Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e Academia Mato-Grossense de Letras, instituições culturais quase seculares irmanadas pela mesma glória. Barão de Melgaço, traduzido em louros perpetuados nos capítulos paginados pela história. Barão de Melgaço, florido em colinas verdejantes margeadas pela memória. Barão de Melgaço, almirante. Barão de Melgaço, navegante. Barão de Melgaço, brasileiro naturalizado. Barão de Melgaço, militar patenteado.

     Barão de Melgaço, herói reconhecido na Campanha Cisplatina e na Guerra do Paraguai. Barão de Melgaço, combatente. Barão de Melgaço, vigilante. Barão de Melgaço, por várias vezes, nomeado presidente e vice-presidente da província de Mato Grosso (1851, 1865, 1866, 1869). Barão de Melgaço, “Bretão de Cuiabá”. Barão de Melgaço, geógrafo e historiador. Barão de Melgaço, escritor. Barão de Melgaço, oficial da Ordem da Rosa. Barão de Melgaço, em verso. Barão de Melgaço, em prosa. Barão de Melgaço, Capitão Tenente da Armada Nacional e Imperial.

     Barão de Melgaço muito mais do que uma cidade do Pantanal. Barão de Melgaço além de uma rua central. Barão de Melgaço nome valoroso de escola estadual nesta capital. Barão de Melgaço desconhecido dos jovens brasileiros na plenitude da sua vasta produção intelectual: Apontamentos, cartas cartográficas, mapas, memórias, roteiros, navegação fluvial. Barão de Melgaço das letras mato-grossenses patrono imortal.
     Augusto João Manuel Leverger, (Nascido em Saint-Malo, França, região da Bretanha, em 30 de janeiro de 1802 – Falecido em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil, em 14 de janeiro de 1880). Filho de Mathurin Michel Leverger e Regina Corbes. Chegou ao Brasil em 1819, com o pai, e ingressou na Marinha Brasileira em 1824, como segundo-tenente. Chegou a Cuiabá em 23 de novembro de 1830, onde serviu no arsenal da Marinha por quatro anos, quando efetuou diversas explorações nos rios Cuiabá, São Lourenço e Paraguai. Foi nomeado Cônsul Geral do Brasil em 1839, cargo que só aceitou em 1843, ano em que se casou com Inês de Almeida Leite. Foi reformado em 1853, no posto de Chefe de Esquadra.

    Em 1857, por seus serviços militares, foi nomeado como Grão Mestre da Ordem de São Bento de Avis. Em carta de agradecimento endereçada ao Imperador D. Pedro II, por ter recebido em 1864 o título honorífico de “barão de Melgaço”, Augusto João Manuel Leverger escreveu:
    "... peço a V. Ex. o obséquio de tratar da obtenção do diploma, brasão, etc., pois não tenho tempo nem facilidade de imaginar coisa alguma a esse respeito. Ministrar-lhe-ei as seguintes verídicas informações. Não sei a significação nem a etimologia de Melgaço. É o nome de uma série de colinas que bordam o Rio Cuiabá...”. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre).


Airton Reis, professor, poeta e embaixador da paz em Mato Grosso. airtonreis.poeta@gmail.com





A corte, o cortejo e a cova

A corte, o cortejo e a cova




     Empate em nada técnico em questão. Embargos infringentes numa mesma legislação. Sete palmos de uma Nação republicana e constitucional. Supremacia em nada federal. Desvio ilegal. Formação de quadrilha institucional. Lobos de uma matilha em franca reavaliação processual. Pilha de lanterna apagada diante do túnel mais do que penal.

      Direito violado de mão em mão. Dinheiro lavado sem sabão. Eleitorado sem rumo e sem prumo apurado. Togas de um colegiado. Presente de um passado investigado. Futuro de um ordenamento jurídico permeado pela corrupção. Quarta feira de cinzas de um samba inacabado em plena repercussão política e social.

      Brasília, a capital. Brasília, o tribunal. Brasília, o ponto de interrogação. Brasília, a ética alvejada. Brasília, a moral em nada ilibada. Brasília, a pátria lesada. Brasília, a arquitetura edificada. Brasília, a esplanada. Brasília, o eixo desconcertante. Brasília, o poder dominante. Brasília, a igualdade distante. Brasília, a honestidade corroída. Brasília, a pátria perdida. Brasília, o balão furado. Brasília, o povo brasileiro deveras representado.

      A corte mais do que fugaz. O cortejo mais do que fúnebre. A cova mais do que escavada. A corte fatiada. O cortejo sem coroa de flores, sem velas e sem fitas amarelas. A corte das panelas. O cortejo das mazelas. A cova das querelas. A corte sem qualquer regalia. O cortejo da hipocrisia. A cova da democracia.

      Em breve, a missa de sétimo dia. Ave Maria sem rosário. Ave César sem imperador. Ave Aladim sem Ali Babá. Ave pimenta malagueta no mesmo vatapá. Ave aquém de Bagdá. Ave carcará. Ave falcão. Ave águia do sertão. Ave gavião. Ave rapina da Constituição. Ave Sésamo. Ave Cassim. Ave Morgiana. Ave chicana. Ave diária. Ave mensal. Ave anual. Ave depenada. Ave sem cantoria orquestrada.

     Haveres em deveres embargados. Haveres em pareceres prolongados. Haveres contestados. Haveres publicados. Haveres registrados. Haveres descomprometidos. Haveres perdidos. Haveres procurados. Haveres quiçá encontrados... A corte, o cortejo e a cova no trinômio pífio dos julgados...


Airton Reis, professor, poeta e embaixador da paz em Mato Grosso. airtonreis.poeta@gmail.com


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A “fortiore ratione”

A “fortiore ratione”
      “Se, como proclamam habitualmente as Constituições, todos são iguais perante a lei, podemos esperar que, a fortiori, todos também sejam iguais perante a Administração Pública”. (Anônimo).

        Igualdade em via de fato e de direito constitucional. Igualdade em voto livre, secreto e universal. Igualdade em respectiva folha salarial. Igualdade mais do que nunca proclamada em pleito eleitoral. Igualdade com maior razão social. Igualdade fracionada tanto mais que qualquer grão integral.
        Igualdade sem diagnóstico civil. Igualdade sem escolaridade cidadã. Igualdade em precariedade assistencial. Igualdade em enfermidade sem prescrição emergencial. Igualdade em calamidade nada ocasional. Igualdade fraudada aquém da melhor idade. Igualdade pela metade da metade. Igualdade na trave sem goleiro. Igualdade na clave do povo brasileiro. Igualdade deveras por inteiro.
         Força desfalecida em representação política. Força ignorada em produção agrícola e industrial. Força desfigurada em mais de uma ocorrência policial. Força deveras condutora da ética revestida pela moral. Força abalada em mais de uma comissão parlamentar de inquérito do Congresso Nacional. Força desarmada pela corrupção institucional. Força forjada em esfera federal. Força desencontrada em reclame estadual. Força minada em meandro municipal. Força do faz de conta finalizado em vantagem pessoal.
         Administração pública ao bel prazer dos governantes e legisladores eleitos e empossados. Administração Pública dos olhos fechados as carências emergenciais dos entes federados. Administração Pública dos bolsões maculados pela miséria insolúvel aos decretos aprovados. Administração Pública dos convênios cancelados pela improbidade. Administração Pública dos preteridos pela legalidade. Administração Pública nas goteiras causadas pela desonestidade...
        Causa e efeito numa mesma reação. Inconformados e descontentes sem qualquer previsão de melhoria. Democracia à revelia. Democracia distante de qualquer sintonia. Democracia vazia e esvaziada. Democracia da cara mascarada. Democracia da cara deslavada. Democracia fadada ao descontentamento. Democracia sem eco em mais de um parlamento. Democracia ao vento. Democracia sem equidade. Democracia fora do prazo de validade. Democracia da vaidade.
         Razão da justiça. Razão da liberdade. Razão da vida em sociedade. Razão da pátria. Razão da família. Razão da humanidade. Razão da imprensa livre de qualquer censura. Razão do verso desfolhado em página de literatura. Razão da espionagem mais do que pessoal. Razão da sucessão eleitoral. Razão da inclusão mais do que digital. Razão do próximo conflito internacional. Razão da próxima invasão territorial. Razão da Primavera sem floração quiçá ornamental.
         É setembro. Vítimas e vitimados pela mesma força em nada motriz. Um taxista assassinado. Um bando armado. Um banco assaltado. Uma escola do portão fechado. Uma lição sem giz. Uma produção agrícola sem escoamento. Uma força sem pavimento institucional. Uma razão na coluna do esquecimento. Um grito sem riacho. Um público capacho. Um facho ora aceso, ora apagado pelo verbo abafar. Um caldeirão transbordante em indignação mais do que singular. Uma panela de pressão popular.
       “Minha casa, minha vida”... Nossa presidente, nossa dívida ativa. Nosso povo, nossa democracia desvalida. Nossa força incontida. Nossa razão ratificada. Nossa pátria idolatrada. Nosso palácio da Alvorada. Nossa cara pintada. Nosso voto certeiro. Nosso povo brasileiro. Nós nas fitas em laços e em nós atados. Nós nas fileiras dos contribuintes cada vez mais lesados. Nós nas extremidades dos picadeiros políticos reeditados. Governantes dos desgovernados. Legisladores dos ignorados. Juristas dos indiciados. Adjetivos sem predicados. Náufragos à deriva... Ilhados!
Airton Reis, professor, poeta e embaixador da paz em Mato Grosso. airtonreis.poeta@gmail.com


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ultrajados, sitiados e armados

Ultrajados, sitiados e armados


       Ultrajados sem nenhum rigor. Sitiados sem qualquer garantia. Armados pela democracia. Guerra e invasão ocidental. Guerra e turbulência mundial. Guerra e esfera governamental. Guerra e decadência civil. Guerra e supremacia militar. Guerra e humanidade em prismas agonizantes. Guerra dos dominadores. Guerra dos dominantes. Guerra dos eixos desconcertantes.
       Ultrajados aquém das torres tombadas. Sitiados em cidades alvejadas. Armados em campos minados. Ultrajados em gases inalados. Sitiados em bombardeios. Armados em esquadrilhas da mesma fumaça. Ultrajados pela trapaça. Sitiados além de uma praça. Armados em nome da desgraça. Ultrajados, sitiados e armados diante da mesma ameaça.
       Mundo em transe coletivo. Mundo em odisséia inter continental. Mundo em hecatombe mais do que regional. Mundo dos povos navegantes. Mundo dos povos errantes. Mundo dos povos colonizadores. Mundos dos povos colonizados. Mundo dos povos bombardeados. Mundo dos povos irmanados pela fé secular. Mundo dos povos em franco guerrear. Mundo dos povos distanciados do verbo harmonizar.
       Prêmios e premiados pelo Nobel da Paz sem qualquer garantia. Prêmios e premiados pelo papel da liberdade nunca tardia. Prêmios e premiados pelo poder da pacificação. Prêmios e premiados pelo predicado de uma organização. Prêmios e premiados diante do mundo deveras irmanado no alvorecer do milênio em toda e em qualquer Nação. Prêmios e premiados pela união comprometida em desavenças institucionalizadas. Prêmios e premiados pelas vidas asseguradas.
       Damasco em dominó de peças desencontradas. Damasco em cartas marcadas. Damasco em tabuleiros sem reis ou rainhas entronadas. Damasco dos galos combatentes nas mesmas rinhas autorizadas. Damasco das vítimas asfixiadas. Damasco das ditaduras continuadas. Damasco das agonias coletivas. Damasco das desavenças não resolvidas. Damasco das chagas bélicas alastradas em feridas sem cicatrização. Damasco da Síria ameaçada de invasão. Rumores de guerra. Clamores de reconciliação!
Airton Reis, professor, poeta e embaixador da paz em Mato Grosso. airtonreis.poeta@gmail.com